Qual é o seu maior desafio?

Esta resposta é muito fácil de achar. Está provavelmente na ponta da língua dividindo o lugar com tudo o que você gostaria de mudar no seu jeito de ser ou com a lista enorme de coisas que você pensa que deveria ter feito melhor na semana que passou. E por que está aí de plantão esta resposta?

Porque somos experts em nossos defeitos. Desde pequenos somos mensurados, comparados, cobrados para ter uma boa performance. Desde as primeiras palavras – que demoraram a acontecer – ou dos rabiscos na escolinha – que não eram tão lindos como os do colega – aprendemos a pensar que não somos como deveríamos ser e que há sempre algo a ser melhorado, constantemente.

Adotamos o hábito de olhar, avaliar, comparar e melhorar. Não há nada de ruim em querer melhorar e desenvolver-se. E de fato é muito bom realizar-se e ter conquistas. O fator que nos pesa não reside nesta busca senão na dose e na falta de um hábito salutar que poderia equilibra-la: o de também olharmos as coisas boas que realizamos. Faça o teste!

Lembre-se de algo que você realizou e cujo resultado tenha lhe agradado e lhe deixado bastante feliz. Lembre-se dos detalhes da cena, do início e do desfecho. Lembre-se das boas sensações, do brilho no olho ou do sorriso espontâneo; do impacto positivo no ambiente ou em outras pessoas; do resultado bacana, dos comentários apreciativos. Foi fácil lembrar? Quando você havia pensado nesta situação agradável pela última vez? Siga um pouco mais com esta memória e identifique as habilidades que você utilizou para que este momento tenha transcorrido de forma tão positiva. Você fez algo bom ou de um jeito único. O que foi?

Espero que você tenha conseguido acessar esta memória. Que você tenha conseguido reconhecer as habilidades que fizeram deste momento um sucesso pessoal. Agora observe-se e pense quantas vezes você fica consciente destas habilidades e as utiliza no seu dia-a-dia? Quanto você as potencializa e capitaliza nisto que já sabe fazer tão bem?
Se o faz com frequência pode ser que as cenas positivas se repitam ao longo dos meses. Mas, se você fez algo que lhe deixou feliz e realizado e estacionou esta lembrança em algum canto da mente que lhe diz “não fiz nada além da minha obrigação” ou “não há nada de especial nisso porque os outros também fazem”, então é possível que seus “defeitos” continuem na ponta da língua e que você siga ocupando boa parte da sua energia para valorizar as habilidades faltantes sem aproveitar ou apreciar as que você já possui.

Podemos abraçar nossos desafios a partir de nossas habilidades para que elas nos guiem e nos fortaleçam emocionalmente. Esta é sempre uma escolha possível mesmo que tenhamos aprendido uma receita improvável de nos desenvolvermos a partir de sensações de dificuldade e fracasso.

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